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Em tese, todo preço terminado em "9" ou "90" é enganoso.
Esta é a mais suja das táticas de marketing usualmente utilizadas
pelo comércio de uma maneira geral, e que atinge cada vez mais produtos
à venda. Seja uma fita cassete ou um micro computador, o "9" está
lá, dando a falsa impressão de se estar pagando menos (em
alguns casos, a retirada de apenas R$ 1,00 dá a ilusão ao
comprador, pelo menos em seu subconsciente, de que o produto é R$
100,00 mais barato). Exemplo mostrado abaixo:

O presente site foi criado com o intuito de esclarecer e denunciar essa
repugnante prática comercial, que além de desrespeitar o
consumidor, é também um insulto à sua inteligência.
Sem falar nos aborrecimentos provocados pela falta de troco, mais especificamente
quando o valor a ser devolvido é de R$ 0,01 - a tão desprezada
e muitas vezes esquecida moedinha de 1 centavo.

Certamente, o que mais irrita o consumidor exigente e consciente de seus direitos é a hora de receber - ou deixar de receber - o troco, simplesmente por falta de moeda no caixa. Moedas de 5, 10, 25, 50 centavos, e de 1 real geralmente há aos montes na gaveta da caixa registradora, mas a menor delas, a de 1 centavo, está literalmente entrando em extinção. Chega a ser um paradoxo: as lojas colocam grande parte de seus produtos com preços terminados em 9 centavos, e praticamente nunca têm as moedas de 1 centavo para fornecerem aos seus clientes na hora do troco. O que acaba ocorrendo: um mísero centavo não tem muito valor, mas, juntando-se 100 moedas desta, obtém-se R$ 1,00. Agora imagine a quantidade de produtos vendidos numa loja, que tem filiais em várias cidades do Brasil, durante 1 dia.
Durante 1 semana...
Durante 1 mês...
Durante 1 ano... ... ... ... ... ...
Quanto a loja não lucra com cada moedinha de R$ 0,01 que não é dada na hora do troco? E adivinhe quem paga o pato! Além de muitas vezes haver abuso nos preços, as lojas ainda lucram às nossas custas. Isso é uma palhaçada!
Geralmente, as pessoas ao pagarem a mercadoria (com preço terminado
em 9 centavos) não recebem o troco completo, muitas vezes por pura
vergonha de reivindicar o 1 centavo que a loja lhe deve. O pior é
quando o Caixa nos olha de forma crítica e muitas vezes irônica
quando pedimos (no meu caso quando EXIJO) o
1 centavo que está faltando. Muitas vezes, o Caixa não dispõe
da tão menosprezada moedinha, e tem de ceder uma de 5 centavos para
os consumidores mais, vamos dizer, esclarecidos - diga-se de passagem,
depois de toda a cena de constrangimento, resultado dessa cultura imbecil
que o brasileiro possui, de não valorizar sua própria moeda.
Se o caixa falar que não tem moeda
de 1 centavo, diga algo como: "Providencie,
que eu aguardo aqui". Muitas vezes nesses casos, ele dá uma
moeda de 5 centavos, pois percebe que o cliente não desistirá
de seu troco.
Caso o caixa insista em dizer que não tem jeito, peça uma
moeda de 5 centavos. Ele não poderá negar, pelo menos teoricamente,
pois a loja tem a OBRIGAÇÃO de fornecer
o troco ao cliente, que não pode ficar "no prejuízo",
textualmente falando.
Mas a melhor dica mesmo, para evitar qualquer aborrecimento desse tipo,
é ter sempre quatro moedas de 1 centavo na
carteira, preferencialmente guardadas já separada das demais. Se
o caixa não tiver o 1 centavo (e provavelmente não terá...),
não pense duas vezes: dê-lhe as quatro moedas e peça
uma de 5 de troco. Nesse caso, não há falha - a não
ser que o caixa, naquele momento, esteja com moeda de 5 centavos em falta.
Nesse caso, dê-lhe uma de 5 e as quatro de 1 (totalizando R$ 0,09)
e peça uma moeda de 10 centavos de volta. Simples, rápido
e à prova de falhas.
Não reclame muito acerca da falta de
troco com o caixa, afinal ele não tem culpa nenhuma de não
ter o troco. A culpa é da loja.
NUNCA aceite bombons ou qualquer outro tipo
de objeto de valor ínfimo no lugar de moedas. Bombons não
são objetos de troca. Se assim fosse, a loja deveria, pelo menos
para ser coerente com a atitude de fornecer balas como troco, aceitá-las
como pagamento por qualquer mercadoria.
Jamais sinta vergonha de exigir a moeda de 1 centavo. Afinal, é
direito de todo e qualquer consumidor receber o troco, NÃO IMPORTANDO
O SEU VALOR.
Não é nem pelo valor do dinheiro em si que se deve pedir
o 1 centavo de troco. É muito mais pelo fato de se sentir lesado
como consumidor, e ainda ser conivente com essa tática abusiva e
desrespeitosa do mercado, que ainda por cima acaba lucrando com o não
fornecimento de troco ao seu cliente - este, geralmente ludibriado e iludido
covardemente com a mais repugnante das estratégias de marketing!
Com a chegada dos importados, no governo Collor, surgiram no Brasil lojas que se especializaram em vender todos os seus produtos a um preço bem pequeno.
O preço nessas lojas, especializadas em vender quinquilharias e
inutilidades domésticas de péssima qualidade, seria de 1
real? Não... Produto a 1 real seria caro demais (!). Os produtos
nessas lojas raramente passam dos centavos - apenas R$ 0,99 (99
centavos), mas NUNCA um preço redondo.
Com o passar do tempo, o preço foi subindo, mas sempre mantendo
sua principal característica: nunca era um preço fechado.
Produtos agora seriam vendidos a R$ 2,00? Claro que não... Basta
tirar R$ 0,01 que aquele porta retratos, produzido na China e de qualidade
duvidosa, seria adquirido por uma verdadeira pechincha: "apenas R$
1,99". Os
mais desavisados, que não conseguem enxergar essa covarde e irritante
tática do comércio, são as principais vítimas
deste.
Num caso hipotético, uma mulher comenta animada com seu marido,
no departamento de perfumes de determinado magazine:
- Olha querido,
achei aquele vidro de perfume que eu tanto queria!
- Quanto custa?
- pergunta o marido.
- Ah, tá
na promoção! É uns 20 e pouco.
No caixa, o marido passa o tal perfume que está "na promoção"
e se surpreende com o preço mostrado no monitor: R$ 29,99.
Mas o preço dito pela mulher não era "somente 20 e pouco"?. A esposa teria mentido ao marido, ou simplesmente teria se tornado mais uma vítima da enganação dos preços, imposta pela loja? Isso mostra como somos iludidos por preços que parecem ser uma coisa, mas são outra. A esposa, ainda no caso hipotético citado acima, provavelmente viu o preço que estava marcado na prateleira (e não no produto - outra tática abusiva do comércio em geral, que será comentada em outra oportunidade), ou seja, R$ 29,99. Esse preço, que é nada mais nada menos do que R$ 30,00 com 1 centavo a menos (cujo troco RARAMENTE é dado ao consumidor) por estar na casa dos 20, incute no subconsciente que o preço é bem menor do que realmente é. Em resumo, quando a mulher falou que o preço do perfume era "20 e pouco", esse "e pouco" correspondia a nada mais nada menos do que R$ 9,99 (ou R$ 10,00 com R$ 0,01 a menos). Se o preço do tal perfume fosse R$ 30,00 talvez a mulher não o achasse tão barato, já que o preço agora está na casa dos 30, e não mais dos 20 - ou seja, com praticamente R$ 10,00 de diferença entre um preço e outro; tudo isso somente por causa do adicionamento de 1 mísero centavo! É ou não é revoltante?
Abaixo, alguns exemplos desses preços, presentes em folhetos promocionais
de algumas lojas (os nomes dos produtos mostrados a seguir foram retirados
propositalmente das imagens, já que o objetivo do site não
é fazer propaganda dos mesmos):

Na vitrine, grandes cartazes com os preços quebrados de sempre ( SEMPRE terminados em 90 ou 99 centavos) e uma palavra mágica: PROMOÇÃO (escrita em caixa alta, com destaque).
Os consumidores, ávidos por "preços em conta" são
fisgados como peixes. Mas será que os preços realmente estão
mais baixos? Nem sempre. Outras vezes, para variar um pouco, o comércio
se utiliza de outra tática: "Tudo na loja com 30% de desconto".
A frase, sedutora e tentadora, ajuda o dono da loja a colocar a mão
no bolso do consumidor e tirar de lá seu tão suado (e escasso)
dinheiro. Este último, compra satisfeito, achando que fez grande
negócio. O que ele não sabe é que, muito provavelmente,
a loja subiu seus preços antes, para só então dar
o tentador desconto de 30%. Ou seja: o preço permaneceu inalterado
(se é que não teve aumento, que não foi percebido
pelo consumidor que não fez pesquisa antes de adquirir o produto).
Dinheiro não nasce em árvores, e nenhuma empresa ou comerciante
quer ter prejuízo, pois vive de vendas que lhe dêem lucro.
Ninguém dá 30%, 40%, 50% de desconto, sem que haja uma maneira
de recuperar o valor "perdido" nesses descontos.
Em outros casos, principalmente na área de produtos alimentícios,
muitas vezes a palavra "promoção" esconde um produto danificado,
ou com prazo de validade quase vencido. Quando encontrar, no supermercado,
um iogurte "na promoção", veja se não se trata de
"desova de produto com prazo de validade nulo". Isso ocorre demais. Não
pense que "a loja está vendendo mais barato porque é boazinha
pro consumidor". Ninguém dá ponto sem nó.
Isso é um clássico. Um exemplo típico: "Leve 3
embalagens de café, e ganhe uma linda xícara de brinde".
Dá realmente aquela sensação de estar ganhando, sem
nenhum custo adicional, o quarto produto. Mas não se iluda: a tal
xícara, que é anunciada como "brinde", está sendo
paga pelo consumidor sim! Muitas vezes, o preço individual da tal
embalagem de café vendida de maneira avulsa é inferior ao
que é vendido com a xícara de brinde. Mais uma vez, deve
ser lembrada a teoria de que "dinheiro não nasce em árvores,
e nenhuma empresa ou comerciante quer ter prejuízo", pois a tal
xícara, por menor que possa ser seu custo de produção,
tem um custo para a empresa que a fabricou, e seu valor final é
diluído dentre as 3 embalagens de café que lhe dão
o direito de adquiri-la. As palavras "grátis" ou "brinde" apenas
ajudam a disfarçar essa tática de venda.
É comum, ao olharmos determinado produto na vitrine, nos surpreendermos
à primeira vista com um preço quase irreal. Um exemplo: uma
camisa de grife famosa é posta na vitrine, e na tabuleta é
destacado o ínfimo valor de R$ 49,99 (claro que não
poderia ser R$50,00 pelos motivos mencionados anteriomente...).
O consumidor se anima a princípio mas, ao se aproximar da tablueta,
consegue ler, em tamanho quase microscópico, a seguinte informação:
"4x" - colocada antes do suposto preço (este sim, em grande
destaque, com números enormes e chamativos que até um cego
poderia enxergar). A tal camisa de grife, que a princípio parecia
ser "uma pechincha", tem como preço não o valor de R$ 49,99
- mas sim 4 vezes isto, ou seja, R$199,96 - sem falar nos juros que geralmente
são cobrados pelo estabelecimento, em compras parceladas (observe
ainda que, mesmo sendo um preço disfarçado, este continua
sendo um preço enganoso, pois o consumidor pagará "menos"
que R$ 200,00 na camisa).
Note, nas propagandas da Telesena por exemplo, que em determinado trecho
do comercial aparecem, geralmente do lado esquerdo da tela, algumas frases,
escritas com letras tão pequenas que é simplesmente impossível
de se ler - sem falar que são escritas NA VERTICAL, dificultando
mais ainda sua leitura. Nem gravando com qualidade máxima em VHS
(velocidade SP) e colocando a imagem na pausa é
possível ler o que está escrito ali (não precisa dizer
que tais informações duram insignificantes segundos em exibição).
Nem com um televisor de 29" é possível identificar os caracteres.
E o pior: aquelas informações são AS MAIS IMPORTANTES
para o consumidor - no caso, o cliente da Telesena. É ali que estão
as restrições e limitações do produto a ser
vendido - informações estas que não são ressaltadas
no comercial por motivos óbvios. Resultado: objetivo atingido por
parte da empresa responsável pelo produto anunciado; ou seja, o
consumidor é mais uma vez lesado, ao não conseguir ler as
tais restrições que poderiam influir na decisão de
compra por parte do cliente.
Deveria ser criada, votada, aprovada e posta em prática uma lei
que punisse empresas que não colocassem tais informações
de maneira legível e acessível nos produtos comercializados
aos seus respectivos clientes. Outros exemplos de empresas que cometem
esse abuso com o consumidor: montadoras e concessionárias de automóveis;
e corretoras, como o "Balcão BPN da Insinuante", por exemplo. Neste
último, cujo slogan comercial é "Fale com a moça",
dá vontade de ligar pra lá somente pra mandar a "moça"
informar exatamente sobre o que está escrito em letras miúdas
nos comerciais veiculados na TV.

